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Matéria publicada no Zashi edição 10 - Junho de 2008

Lorena Hollander

Vocalista da banda Diafanes introduz o delicado som do kotô em suas canções

(Por: Suzana Sakai)

Misturar o som da guitarra com os acordes do kotô não é uma tarefa fácil. No entanto, a vocalista da banda Diafanes, Lorena Hollander, aceitou o desafio. Um dos resultados dessa mescla é a canção Obviously clear, composta em homenagem ao centenário da imigração japonesa. Conheça um pouco mais sobre esse trabalho no bate-papo de Lorena com a equipe Zashi.


Apresentação da banda no The National Cherry Blossom, em Washington DC


O delicado acorde do kotô em contraste com o pesado som da guitarra

Os integrantes da banda Diafanes
Zashi - Você toca kotô há três anos. Como surgiu o interesse por esse instrumento oriental?
Lorena Hollander -
Meu primeiro contato com o kotô foi em uma apresentação de música japonesa no conservatório onde estudava. Não conhecia nenhum instrumento tradicional japonês. Na época, conhecia pouco da música japonesa e o recital me impressionou muito. Mas o que realmente me marcou foi o kotô e a minha atual professora, Tamie Kitahara, tocando. Saí do recital pensando “quando tiver tempo para aprender mais um instrumento, será o kotô”.

Zashi - Qual foi a primeira vez que você tocou o kotô? Você já fazia parte da banda Diafanes?
Lorena -
Quando comecei a aprender a tocar kotô já tinha até um álbum lançado com a Diafanes. Minhas primeiras aulas foram ótimas, foi um grande mergulho no universo japonês, pois aprendi muito sobre o Japão e a cultura japonesa, além de aprender a tocar o kotô. A inclusão desse instrumento é um grande diferencial no segundo CD da banda.

Zashi - A faixa-título do álbum Obviously clear é uma homenagem ao centenário da imigração japonesa. Além do kotô, a canção ainda apresenta alguns trechos em japonês. Você estuda a língua, ou apenas aprendeu algumas palavras para compor a música?
Lorena -
Eu estudei um pouco de japonês para cantar algumas músicas japonesas, mas aprendi muito pouco. A língua é bastante complexa. Na música Obviously Clear, compus um trecho em português e a Tamie Kitahara e sua aluna Naomi Ueda fizeram a tradução para mim. Ficou muito bonito, porque é uma parte bem lenta na qual ficam só o kotô e a voz, a guitarra vai entrando junto com tambores e depois o kotô faz um solo junto com a guitarra. Fica um diálogo muito interessante e a sonoridade da língua japonesa acrescenta muito neste trecho.

Zashi - Como surgiu a idéia de mesclar o kotô com a guitarra? Como foi a reação dos outros integrantes da banda?
Lorena -
Quando comecei a tocar kotô já tinha a intenção de usá-lo com a banda, mas demorou um pouco porque eu nem tinha um kotô quando comecei a tocar. A idéia era fazer algo diferente, fazer uma mistura inusitada e não tinha idéia de como seria o resultado. Compor no kotô era um desafio, mas acabou dando tudo muito certo e o resultado superou as expectativas. Nos primeiros ensaios com a banda, já deu para perceber que ia ficar muito legal. Quando a música ficou pronta, foi uma grande e ótima surpresa para todos!

Zashi - Em abril, a Diafanes participou do The National Cherry Blossom Festival, em Washington DC. Na ocasião, vocês tocaram Sakura, Sakura, uma famosa canção japonesa. Como foi a participação e a adaptação da música?
Lorena -
Participar do National Cherry Blossom Festival foi uma experiência única e maravilhosa. Para nós, foi uma grande honra receber um convite para tocar em um festival tão importante, que existe há 73 anos, e que comemora o florescimento das cerejeiras doadas pelo governo japonês aos EUA em 1912. Especialmente para o festival, fizemos uma versão da música Sakura, Sakura para homenagear as cerejeiras. Neste arranjo, utilizamos kotô, violão, percussão e baixo e eu canto a letra original em japonês.

Zashi - Vocês já realizaram alguma apresentação no Japão?
Lorena -
Ainda não, mas queremos muito tocar no Japão. Será ótimo se for ainda neste ano, o ano do intercâmbio entre o Brasil e o Japão. De vez em quando, recebemos mensagens de japoneses no nosso site no Myspace pedindo para tocarmos por lá! O Ciro Visconti, guitarrista da banda, morou em Osaka por um ano e eu aguardo ansiosamente por essa oportunidade.

Zashi - Como o público reage quando escuta a mistura do kotô com a guitarra?
Lorena -
O público sempre fica muito interessado e surpreso quando vê e escuta o kotô, pois as pessoas não conhecem o instrumento e ficam muito admiradas. Quando a guitarra e a banda entram, após uma introdução de kotô, a surpresa fica ainda maior, pois toda delicadeza e suavidade do kotô constrastam com um som mais pesado, soa bem diferente e original.

Zashi - Você já pensou em incluir outro instrumento oriental na Diafanes?
Lorena -
Na verdade, já utilizamos outros instrumentos orientais na banda, como os snujs e o derbake (instrumentos de percussão árabe). Além disso, tocamos outros instrumentos exóticos, como castanholas, theremin, lap steel e o Ciro pretende aprender a tocar o shamisen. Nossa intenção é continuar adicionando instrumentos como esses em nossas músicas, para criar climas e sonoridades diferentes e continuar fazendo experimentos e misturas sonoras.


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