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Arte em Letras
Matéria publicada no Zashi edição 7 - Março de 2008

Nempuku Sato: Um mestre do haicai no Brasil

Talento respeitado entre os imigrantes, Sato iniciou a divulgação do haicai na imprensa nipo-brasileira

(Por: Edson Kenji Iura*)


Importância: Nempuku Sato criou a maior comunidade de poetas de haicai em língua japonesa fora do arquipélago

Kenjiro Sato (1898-1979) não era um imigrante comum. Trazia em sua bagagem o conhecimento do haicai, a poesia japonesa da natureza e das estações, e recebera de Kyoshi Takahama, o maior mestre japonês do século XX, a incumbência de propagar essa tradição aqui, do outro lado do mundo. Nempuku era sua alcunha literária. E, com esse nome, passou a ser lembrado como uma das personalidades mais relevantes da cultura japonesa no Brasil.

Apenas alguns anos após sua chegada, Nempuku Sato iniciou peregrinação pelas cidades dos Estados de São Paulo e Paraná, localizando núcleos de imigrantes e oferecendo-se para ensinar haicai. Era uma grande novidade para aquelas pessoas que conheciam apenas a rotina do trabalho no campo. O haicai representou, para muitos imigrantes e seus filhos, por meio do estímulo ao aprendizado da língua e da tradição literária japonesas, a recuperação e a conservação de sua identidade dentro do Brasil.

Tornando-se um mestre respeitado entre os imigrantes japoneses e seus descendentes, Nempuku iniciou a divulgação do haicai na imprensa nipo-brasileira e também em sua própria revista, de nome Kokage, fundada em 1948 e mantida até sua morte. Esse incansável apostolado resultou na maior comunidade de poetas de haicai em língua japonesa fora do Japão, estimada, a seu tempo, em mais de 2 mil pessoas, entre discípulos diretos e indiretos.

A partir do trabalho de Goga Masuda, um dos discípulos de Nempuku, os valores dessa poesia foram apresentados à comunidade poética brasileira, abrindo-se a possibilidade de se escrever haicais, dentro da tradição, também em português. Assim, o legado de Nempuku Sato se perpetua.

kaminari ya
yomo no jukai no
kogaminari

O trovão ribomba –
Dos quatro cantos da selva,
filhos de trovão.

O haicai mais conhecido de Nempuku expressa o assombro do imigrante ante a imensidão da natureza no novo país. Em meio a um verdadeiro mar de árvores, ouve-se o estrondo de um trovão. Para surpresa do observador, pequenos trovões se anunciam, vindos de todas as partes da floresta, como se fossem filhos acudindo ao chamado do pai. Isso é algo que o japonês nunca vira antes.


* Edson Kenji Iura é haicaísta do Grêmio Haicai Ipê e também um dos colunistas da seção Arte em Letras.

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