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Boas Palavras
Matéria publicada no Zashi edição 4 - Dezembro de 2007

(Por Roberto Shinyashiki*)

As pessoas estão perdendo a habilidade de dialogar e de conhecer o outro. Elas ouvem, mas não escutam; falam, mas não se deixam conhecer; esbarram-se, mas não se vêem; e uma multidão caminha solitariamente em direção a lugar nenhum. Conviver é uma arte tão sutil quanto a música, a literatura, a pintura ou o teatro e que poucos aprenderam a dominar. Infelizmente, nas escolas, não há disciplinas que ensinam a nos relacionar.

A dificuldade de entrar no mundo alheio está criando uma geração de pessoas impacientes e distantes. Ao perdermos a generosidade de respeitar diferentes pontos de vista, transformamos os casamentos e os negócios em verdadeiros campos de batalha, em que o outro passa a ser o inimigo.

Todas as vezes que ocorre um massacre numa escola dos Estados Unidos, os jornalistas norte-americanos ficam entrevistando psicólogos e educadores sobre as causas da violência entre os estudantes. É simples: esse é o modelo da economia e da política norte-americana. Os líderes são tomados como exemplo, mesmo quando não percebem isso. Quando bombardeiam para impor seus pontos de vista, ensinam os jovens a fazer o mesmo com os colegas.

Quando o presidente norte-americano anda com uma mala que pode enviar mísseis nucleares para qualquer ponto do planeta, está ensinando a juventude a andar armada. Seus filmes de sucesso, com armas e assassinatos em profusão, exportam um modelo de violência e de falta de respeito ao outro. Os Estados Unidos falam muito de paz, mas são o povo que mais cria guerras e ganha dinheiro com elas.

A competição é excitante no esporte, em que há ética e respeito por um objetivo e, no final da partida, trocam-se as camisetas numa homenagem ao adversário. Porém, a competição selvagem, em que os valores humanos são destruídos, só vai terminar quando aprendermos a conviver, a aceitar e a admirar a diversidade.

Resolução de conflitos

Os conflitos ocorrem quando duas ou mais pessoas têm pontos de vistas diferentes sobre o mesmo assunto.

O melhor a fazer, nesse caso, é tentar resolver o problema antes que ele adquira proporções maiores. Os conflitos têm de ser enfrentados diretamente e, dependendo da gravidade da situação, é necessário um tempo para cicatrizar as feridas. A seqüência da resolução de um conflito descrita a seguir vai ajudá-lo nessa tarefa:

• Estabelecimento de diálogo. Nessas situações, geralmente a conversa fica travada. A primeira atitude é procurar uma forma de restabelecer a comunicação.

• Definição dos motivos de divergências. Quando se define de imediato qual o ponto em discussão, os motivos exatos das divergências, fica mais fácil encontrar uma solução que agrade a todos.

• Compreensão das razões do outro. Tenha paciência para ouvir o desabafo do outro. O ideal é conseguir escutar e procurar não julgar a opinião alheia.

• Interpretação do que cada um realmente deseja extrair do conflito. Nesse momento, os dois devem expor seus objetivos e suas preocupações até que apareça uma opção que agrade a ambos.



* Roberto Shinyashiki
é psiquiatra e autor de diversos best-sellers, como
"O sucesso é ser feliz".
Site: www.shinyashiki.uol.com.br

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